KARATE DESPORTIVO

Cook (2003) afirma que Nakayama propôs em 1956 as primeiras regras de competição de Karaté. No entanto, o passo fulcral do desenvolvimento competitivo institucionalizado dá-se com a fundação da primeira associação inter-estilos – JKF (Japan Karaté-Do Federation) – em 1965 (Figueiredo, 2006).

A competição de Karaté apresenta duas vertentes distintas – KATA e KUMITE[1]. Apesar das diferenças estruturais existentes entre ambas as provas, sendo que a prova de Kata não incorpora um adversário directo, a eficiência na execução está directamente ligada ao desenvolvimento da velocidade e força dos membros (superiores e inferiores), combinada com o controlo dinâmico da estabilidade corporal durante qualquer acção (Cesari & Bertucco, 2008).

katakumite

De seguida apresentamos uma caracterização de ambos os conceitos.

 KATA

Francescato et al. (1995) consideram que o objectivo principal do Karaté tem sido o de imprimir num único segmento corporal o máximo de energia cinética possível no menor período de tempo – POTÊNCIA. O envolvimento de quase todos os grupos musculares, com movimentos complexos, origina rápidas acelerações e desacelerações dos segmentos corporais (Francescato et. al, 1995). São estes movimentos que são estruturados em sequências precisas que constituem exercícios específicos de Karate – Kihon e Kata.

O Kata consiste numa série complexa de movimentos organizados, pré-determinados, incorporando técnicas de defesa e ataque, tanto com os membros superiores como inferiores, assim como rotações, viragens, saltos e deslocamentos (Zehr & Sale, 1993; Imamura et al. 1998). Figueiredo (1994) define kata como sendo:

Um conjunto ordenado de acções técnico-tácticas de combate, sem oposição, o que permite o seu treino solitário, e que são formalmente codificadas e encadeadas formando um conjunto identificado com um nome, sendo verdadeiros instrumentos culturais transmitidos no seio das escolas (”estilos”), …”

Este conjunto de elementos surgiu no Karaté tradicional como meio de preparação e desenvolvimento das habilidades técnicas e condicionamento físico geral. Os katas são diversos e ecléticos, dependendo, em primeira mão, do seu estilo de origem.

Os quatro estilos fundamentais de Karaté são: Shotokan, Goju-Ryu, Chito-Ryu e Wado-Ryu. Cada um destes apresenta características específicas (Kihon) distintas entre si, pelo que os seus katas espelham essas mesmas diferenças.

Ademais, existem ainda diferenças intra-estilo sendo que os katas variam bastante na sua constituição técnica, na sua duração e consequentemente no tipo de esforço envolvido.

Caracterização do esforço em Kata

Francescato et al. (1995) consideram que os katas variam bastante em estilo e na componente técnica (i.e. número de técnicas e duração), englobando katas que são fundamentalmente resultado de contracções musculares isométricas, com katas que envolvem rápidas acelerações dos segmentos corporais. A interpretação deste conceito permite-nos avançar que, na competição actual, qualquer kata envolve duas componentes físicas essenciais: (i) máxima capacidade estática (isometria) e (ii) máxima capacidade de aceleração (potência).

No seu artigo de 1993, Zehr & Sale consideram que as técnicas num qualquer kata podem ter uma natureza dinâmica ou estática, incorporando assim quer sequências de movimentos repetidos e rítmicos como movimentos estáticos, com uma forte componente isométrica.

No Kata, o ritmo e a harmonia são factores intrínsecos, sendo que as distâncias temporais entre cada movimento ou série de movimentos são considerados tão importantes como a acção propriamente dita (Layton, Lawrence, & Moran, 1999). Praticantes mais experientes tendem a tornar os espaços temporais entre cada acção mais vincados (aumentando o esforço isométrico) e a incrementar a velocidade de execução de cada acção (maiores níveis de potência muscular).

No que concerne aos sistemas energéticos envolvidos é difícil encontrar um consenso alargado devido aos poucos estudos desenvolvidos e, também, aos resultados díspares que os mesmos têm evidenciado.

Francescato et al. (1995) concluíram, num estudo realizado com 8 competidores, que o esforço é fundamentalmente anaeróbio aláctico (46% a 90%), ou seja, proveniente da degradação de fosfagénios. A contribuição do sistema aeróbio foi de 10% a 41% e do sistema aeróbio láctico até 13%.

Imamura et al. (1998) caracteriza o esforço no Kata como anaeróbico, argumentando que este se constitui como um conjunto de períodos de baixa intensidade interrompidos por períodos mais brandos como o descanso activo. Os resultados que obteve, no seu estudo com sete competidores de alto rendimento, sustentam ainda que, apesar dos praticantes de Kata não serem atletas de resistência, apresentam um VO2max 19% superior a sujeitos da mesma idade não praticantes, o que poderá ser uma resposta à necessidade de prevenção da fadiga durante a prática intensiva do kata.

Os dados antropométricos em Kata

Na actualidade, todos os desportos praticados a um nível elevado de profissionalismo necessitam que os corpos que os desempenham obtenham óptimas performances quer ao nível biomecânico como fisiológico (Giampietro, Pujia, & Bertini, 2003). É assim facilmente entendível que atletas de alto nível estejam equipados com características funcionais que se adaptam ao desporto que praticam.

Giampetro et al. (2003) consideram que uma estrutura corporal longílinea é a que transporta melhores adaptações biomecânicas ao desempenho no Karaté. Embora não tenhamos dúvidas que no Kumité este facto se observa, temos alguma relutância em afirmar que este também seja o caso da prova de Kata.

Tendo em consideração que o momentum[2] é um factor fucral para os praticantes de Kata, e que existe uma alta correlação negativa entre %MG e performance em actividades em que a massa corporal tem que ser deslocada pelo espaço, Imamura, et al. (1998), considera que valores baixos de %MG são uma considerável vantagem no rendimento do competidor de Kata. No seu estudo, Imamura et al. (1998) concluiram que a %MG é de facto um indicador predictivo de praticantes de Kata alta competição.

O desenrolar da prova de Kata

Até ao ano de 2000, as provas de Kata decorriam num sistema de eliminatórias, em que os jogadores com melhores pontuações passariam à eliminatória subsequente. Os jogadores realizavam no máximo (excepto em situações de desempate) três Katas distintos, cada um em cada eliminatória (apuramento; meia-final; final).

A competição institucionalizada do Kata incorpora a vertente individual e a vertente por equipa[3]. A competição desenvolve-se por sistema de eliminatórias. Nas duas primeiras eliminatórias de cada prova, os jogadores são obrigados a realizar dois katas distintos provenientes de uma lista designada por Shitei[4]. A partir da terceira eliminatória, os jogadores têm que escolher de uma lista designada por Tokui[5], qual kata pretendem realizar, sendo que não podem repetir nenhum kata ao longo da prova.

 

Quadro nº 1 – Lista de Katas de provas WKF (World Karaté Federation).

Kata

Estilo

Shitei

Tokui (alguns exemplos)

Goju-Ryu

Seipai / Saifa

Sanseru / Kururunfa / Suparimpei / Seisan

Wado-Ryu

Seishan / Chinto

Kushanku / Seishan / Passai / Naihanchi

Shotokan

Jion / Kanku Dai

Gankaku / Kanku-Sho / Nijushiho Sho / Unso

Shito – Ryu

Bassai Dai / Seienchin

Annan / Gojushiho / Paiku / Chatanyara Kushanku

Sistema de Pontuação e Área de competição

As provas actuais de Kata, sob a égide da WKF (World Karaté Federation), não incorporam um sistema de pontuação quantitativo. Em cada eliminatória encontram-se dois jogadores designados por Aka[6] e Ao[7]. O Ao realiza o kata depois do Aka e, seguidamente, os juízes, através do levantamento de uma bandeira encarnada ou azul, decidem qual dos jogadores passará à eliminatória seguinte. Esta alteração das regras implicou que os jogadores finalistas tenham muitas vezes que realizar seis ou sete katas distintos, alterando o tipo de esforço envolvido e, consequentemente, as metodologias do treino.

A área de competição tem 64 m2 e a disposição é a que se apresenta na Figura nº 2. O piso (Tatami) apresenta características específicas para a prática do Karaté desportivo.

kata 

Figura nº 2 – Área de competição de Kata.

KUMITÉ

Figueiredo e Dias (2002) consideram que o Kumité constitui a expressão actual do combate de Karaté, podendo ser considerada como a “prova competitiva institucionalizada”, que permite “comparar as prestações atléticas dos praticantes de uma forma estandardizada e regulamentada”.

Esta vertente ilustra o que normalmente entendemos como sendo característico de um desporto de combate: um jogador tem que atacar e conquistar um adversário (Beekley et. al, 2006), embora uma das noções essenciais seja a do controlo rigoroso do “contacto” (príncipio do sun-dome[8]), nomeadamente à face, à cabeça e aos membros inferiores.

O Kumité é um todo constituído por técnica, força, capacidade aeróbia e aneróbia, potência, velocidade de reacção e tomada de decisão.

Figueiredo (1994), caracteriza o Kumité como um tipo de encontro dual com oposição directa e contacto físico controlado. Na sua estrutura funcional encontramos movimentos acíclicos de luta inerme, como deslocamentos, rotações, saltos e, varrimentos que se constituem como acções técnico-tácticas preparatórias de outras: acções ofensivas de membros inferiores e superiores directos, cruzados, ou circulares, bloqueios, derivações, esquivas, etc. (Figueiredo, 1994).

Caracterização do esforço em Kumité

Os primeiros estudos realizados com o propósito de caracterizar o esforço em Kumité, como o de Baker (1990) definiam o evento de Kumité como sendo de grande intensidade e, consequentemente, a sua predominante fonte de energia proviria do sistema anaeróbico.

No entanto, estudos mais recentes indicam que o perfil metabólico desta prova é predominantemente aeróbio, obtendo alguma suplementação do sistema dos fosfatos (anaeróbio aláctico) (Beneke et al., 2004).

O jogo é o resultado de algumas acções realizadas a baixa intensidade (deslocamentos à frente, à retaguarda e laterais e os constantes “mini-saltitares” que o jogador realiza) em conjunto com a execução de técnicas ofensivas e/ou defensivas de curta duração, mas de máxima intensidade (Nunan, 2006) – é uma actividade de alta-intensidade intermitente. Estas sequências de movimentos são interrompidas sempre que um jogador pontue, cometa uma infracção ou após uma acção ou série de acções o árbitro considere ajustado parar o combate e trazer os jogadores para o centro do tatami.

Uma modalidade com algumas similaridades fenotípicas com o Kumité é o Taekwondo[9]. Em 1990, Pieter, Taaffe, & Heijmans, consideraram que a resistência aeróbia observada nesta modalidade era característica de uma actividade intermitente, com um razoável desenvolvimento do nível de resistência anaeróbio.

Castelo (1987) observou que, em média, o jogador está em acção (execução técnico-táctica objectiva, ofensiva ou defensiva, observável) apenas durante 15 segundos do tempo útil do combate, repartidos por acções não superiores a 0,50 segundos (80%) e acções entre 0,50 e 1,50 segundos (20%).

Beneke et al. (2004) registou 16,3 acções de alta intensidade por combate, com a duração de 1a 3 segundos cada uma, culminando num resultado de 3,4 acções de alta intensidade por minuto. O mesmo estudo observou que as decisões arbitrais provocaram uma proporção de actividade/intervalo de quase duas para uma, provenientes de 18 segundos de actividade para 9 segundos de quebra.

A diferença observada entre estes dois estudos no que concerne à duração das acções de alta intensidade (0,50 s e 1,3 s) pode ser explicada pela alteração das regras de competição em 2000 e, também, a uma modernização do estilo de arbitragem (Figueiredo & Dias, 2002). Na actualidade, como já vimos, o combate é apenas interrompido sob algumas circunstâncias, o que diminui sobremaneira o número de interrupções e potencia o desenvolvimento de uma maior taxa de produção motora efectiva, o que justifica o facto do sistema aeróbio ter subido de preponderância no jogo de Kumité contemporâneo.

A este respeito (Dias & Farinha, 2001), num estudo realizado com jogadores juniores, de alto nível nacional, concluíram que embora o tempo de execução de acções (ofensivas ou defensivas) de alta intensidade não tenha sofrido um grande aumento, a sua preparação (através de uma movimentação dinâmica) foi bastante potenciada, produzindo eventualmente maiores índices de fadiga.

 A Velocidade e a Força Explosiva

A procura pela supremacia num combate, através de acções motoras de alta intensidade (ofensivas e defensivas), espelha a importância das componentes Velocidade e Força Explosiva no jogo de Kumité.

A velocidade expressa-se quer em acções ofensivas como defensivas, em tentativas de surpreender o adversário ou de reacção a uma acção por este produzida. A isto ainda se junta o facto da sua variação positiva ser um factor intrínseco à transmissão eficaz da força de impacto:  , ,  ,  (Figueiredo & Dias, 2002). Como já vimos:

 “o impacto não é explicitamente procurado na competição institucionalizada, mas, como sua consequência biomecânica inerente, dependendo de quantidades de movimento ( ) elevadas, torna-se a velocidade, um critério explícito de pontuação e qualidade física mecanicamente importante (aplicação vigorosa). Além disso, interessa tacticamente chegar ao adversário dificultando as suas reacções de defesa, o que elogia ainda mais esta qualidade.” (Figueiredo & Dias, 2002, p. 13).

 Outra capacidade de importância fulcral é a força explosiva, nomeadamente a potência: , que abordaremos no nosso estudo, focando a atenção no trabalho realizado pelo quadricípete (extensor) e pelo isquiotibial (flexor).

 Dados Somáticos, Funcionais e Composição Corporal em Kumité

Nos desportos em que a competição está dividida por categoria de peso, a leitura dos dados antropométricos torna-se um dos componentes essenciais no alcance do sucesso desportivo. Numa análise superficial, o peso é o resultado da combinação entre Massa Gorda (MG) e Massa Isenta de Gordura (MIG), sendo que a categoria de peso em que o jogador se encontra, deve ser aquela que melhor representa uma proporção correcta entre ambas estas componentes e outros factores, como a altura e o comprimento dos segmentos.

Malina et al. (1982) sugeriu que sexo e desporto são os factores que mais influenciam a variação da gordura. De facto, os atletas de corrida de resistência apresentam valores inferiores de gordura do que os nadadores, ao mesmo tempo que as mulheres apresentam constantemente valores de gordura superiores aos dos homens

Giampetro et al. (2003) considera que o aumento do peso devido à acumulação de uma maior percentagem de massa gorda (%MG) pode culminar no decréscimo da performance do atleta. Deste modo, é importante diferenciar e avaliar os valores de dois componentes fundamentais do corpo: (i) MG e (ii) MIG. (Giampietro et. al, 2003).

Os estudos que abrangem as questões morfológicas, funcionais e de composição corporal no Karaté são ainda bastante parcos na literatura, mas tentaremos enunciar algumas referências.

No estudo de Giampetro et al. (2003), que avaliou 35 sujeitos homens, divididos por dois grupos distintos (grupo 1 – alto nível profissional e grupo 2 – amadores), verificou-se que, em geral, os sujeitos do grupo 1 são mais altos (1,80 ± 0,07 m) do que os sujeitos do grupo 2 (1,75 ± 0,07 m). Concluiu-se ainda que, em média, o rácio membros-altura era maior no grupo 1, com 86% dos sujeitos a serem qualificados como possuidores de segmentos compridos, ao passo que apenas 57% dos sujeitos do grupo 2 foram qualificados da mesma forma. Apesar de não se terem observado diferenças estatisticamente significativas entre os demais parâmetros e índices de composição corporal, os autores afirmam que um físico mais delgado pode afectar a performance positivamente, sendo de esperar que sujeitos de baixa a média altura, com extremos compridos, alcancem os melhores resultados desportivos.

Os valores de somatótipo obtidos indicam que os atletas de alto nível se situam na zona do mesomorfismo-ectomorfismo, espelhando o maior desenvolvimento da sua constituição vertical em comparação com os amadores que se situam na zona média do mesomorfismo.

A %MG foi baixa nos dois grupos estudados, embora se verifique que os jogadores profissionais obtenham melhores resultados (Protocolo Jackson-Pollock – 8,1 ± 2,4 % e Protocolo Sloan-Weier – 9,8 ±1,6 %) que os jogadores amadores (Protocolo Jackson-Pollock – 8,9 ± 3,3 % e Protocolo Sloan-Weier – 11,2 ± 3,7 %).

Num estudo realizado com atletas de Taekwondo durante os Jogos Olímpicos de Sydney (Kazemi et. al, 2006), registou-se que a média das alturas (1,83 ± 0,08 m) dos jogadores masculinos vencedores era superior à média (1,79 ± 0,08) da sua categoria. A este respeito, os autores referem que estes dados corroboram uma das crenças de longa data dos treinadores de Taekwondo: os jogadores mais altos em cada categoria de peso, podem ser mais bem sucedidos devido ao seu maior alcançe, corpo esgio e maiores alavancas, o que os ajuda a percorrer longas distância, dispendendo menos energia. Verificou-se ainda que, nas categorias mais pesadas, em ambos os sexos, a média do peso dos vencedores era menor do que a média da categoria. À excepção do vencedor na categoria de + 80Kg, a média do peso dos vencedores masculinos (73,4 ± 12,1 kg) é superior à média das suas categorias (73,7 ± 14,3 kg).

Escalões e Duração dos Combates

A competição institucionalizada do Kumité incorpora a vertente individual e a vertente por equipa. Na primeira os atletas são agrupados de acordo com três critérios: sexo, escalão e categoria de peso. O quadro sintetiza essa informação.

Quadro nº 2 – Lista de escalões, categorias, e duração de combate em provas WKF.

Kumité

Escalões

Categorias

Duração do combate

Feminino

Juvenis

-40 kg

-45 kg

-50 kg

-55 kg

+55 kg

 

2 min.

Cadetes

-47 kg

-54 kg

+54 kg

 

 

 

Juniores

-48kg

-53kg

-59 kg

+59kg

 

 

Seniores

-50 kg

-55 kg

-61 kg

-68 kg

+68 kg

Open

Masculino

Juvenis

-40 kg

-45 kg

-50 kg

-55 kg

-60 kg

+60kg

2 min.

Cadetes

-52 kg

-57 kg

-63 kg

-70 kg

+70 kg

 

Juniores

-55 kg

-61 kg

-68 kg

-76 kg

+76 kg

 

Seniores

-60 kg

-67 kg

-75 kg

-84 kg

+84 kg

Open

3 min.

Sistema de Pontuação

O sistema de pontuação incorpora três tipos de valorização de uma acção pontuável:

(i)            Ippon (1 ponto) – Acções técnicas directas (Tsuki) de membros superiores ao nível do tronco e da cabeça; acções técnicas circulares (Uchi) de membros superiores;

(ii)          Nihon (2 pontos) – Acções técnicas de membros inferiores (pontapés) ao nível do tronco e costas; Acções técnicas de membros superiores nas costas, incluindo a zona posterior do pescoço e cabeça; combinações técnicas de membros superiores, em que cada uma delas seja pontuável por si só; desencadeamento de um desequilíbrio no adversário seguindo-se uma técnica pontuável;

(iii)         Sanbon (3 pontos) – Acções técnicas de membros inferiores (pontapés) à altura da cabeça e projecções ou varrimentos do oponente ao tapete, seguindo-se uma técnica pontuável.

Existem dois tipos distintos de penalização:

(i)            Categoria 1 – Acções que coloquem em risco a integridade física do adversário;

(ii)          Categoria 2 – Falta de conduta desportiva.

As penalizações só são acumuláveis se pertencerem à mesma categoria. Exemplo:

  • Caso um jogador seja penalizado com uma falta de categoria 1 e uma falta de categoria 2, não verá ser averbado um ponto ao seu adversário, mas, caso um jogador acumule duas penalizações de tipo 1, o seu oponente beneficiará com um ponto directo.

O combate pode terminar antes do tempo regulamentar caso se verifique uma diferença pontual superior a 7 pontos, ou caso um dos competidores seja excluído por meio de penalizações (Shikkaku) ou ainda por renúncia ou abandono do adversário (Kiken).

Nas provas individuais, em caso de empate (Hikiwake) procede-se a um prolongamento (Encho-sen[10]) de 1 minuto realizado sob a forma de “ponto de ouro”. Se, no final do prolongamento ainda pontificar o equilíbrio, o Árbitro e os 3 Juízes decidirão qual dos jogadores será o vencedor (Hantei), tendo como critérios:

  • A atitude, o espírito de luta e força demonstrados.
  • A superioridade táctica e técnica.
  • A iniciativa nas acções.
A Área de Competição em Kumité

A competição desenrola-se numa área de 64 metros quadrados, embora, como a Figura nº 3 exemplifica, seja necessária uma área adicional de 2 metros em todo o perímetro como área de segurança.

kumite

 


[1] Kumité – Kumi: encontro; te: mão.

[2] Momentum – Massa*Aceleração (m*a)

[3] A prova por equipa consiste na realização do Kata por três jogadores ao mesmo tempo. Nesta circunstância a sincronização entre todos os elementos é o ponto fundamental.

[4] Shitei – lista de katas obrigatórias constituída por dois katas de cada um dos quatro estilos fundamentais.

[5] Tokui – significa “ponto forte de uma pessoa”, correspondendo aos Katas em que os atletas deverão ser mais proficientes.

[6] Aka – termo japonês que significa “encarnado”. Na competição de Karaté, um dos jogadores apresenta cinto encarnado e o outro cinto azul.

[7] Ao – termo japonês que significa “azul”.

[8] Princípio do Sun-dome significa interromper a técnica imediatamente antes de se estabelecer contacto com o alvo.

[9] Taekwondo – é um desporto de combate em que o esforço produzido é descontínuo e envolve, como o Kumité, diferentes movimentos técnicos dependentes de dispêndios diferenciados de energia  (Barrata, Solomononow, Zhou, Letson, Chuinard, & D’Ambrosia, 1988).

[10] Encho-sen – tempo adicional de tempo que ocorre quando uma contenda termina empatada.